quarta-feira, 12 de junho de 2013

Franjas de poesia





Amor Contumaz

 
I

Quando digo não te quero

Só pode ser brincadeira

Eu não sei mentir a sério

Nem de outra qualquer maneira.


II

Quando os arrufos matreiros

Tomam conta do meu ser

Há sempre uns mais desordeiros

Que me dominam sem eu querer.
 

III

O amor é uma obra-prima

Que não conhece fronteiras

Dá vida ao meu auto estima

E luz às minhas cegueiras.


IV

Uma noite de carinho

Seguida de um dia igual

É o amor em desalinho

Alinhando o que está mal.
 

V

Às vezes nas horas menos

Como caído no chão

Não reajo aos teus apelos

E torturo o coração.
 

VI

Sou este ser imperfeito

Que medita e se refaz

Porque tenho dentro do peito

Um grande amor, contumaz.

 

José Chilra
 

 




Rosa branca

 
I

Rosa branca perfumada

Não sei o que a faz corar
 
Se é o sol ou a geada

Ou o brilho do meu olhar

II

É uma rosinha cativa
 
Na roseira Alexandria

Rosa branca pé de silva
 
Tem folhinhas de magia

III
Nascida ao pé da Marcela

E da papoila encarnada

Tem o malmequer com ela

E eu com ela não tenho nada.
 
IV

Fui colher flores ao campo

Disse para mim, a brincar

Ó Rosa branca, quero tanto
O que tu não me queres dar!
 
V
Tens fragrância de carinho

Muito longe dos meus ais

Para mim a dor de um espinho

Não é grande mas dói mais!

 

José Chilra
 




Estranha contradição


I

Ao meu coração menti
 
Ao fingir que não a vi

E dizer que não a amava.

Estranha contradição

A boca dizia não

E o coração palpitava.

 
II

Por medo ou insegurança

Faltou-me audácia e constância

Para lhe pedir namoro.

Onde é que eu tinha a cabeça

Ao sair dali à pressa

Com o coração num choro.  

III

Quando ia a meio do caminho

Arrependido e sozinho

Senti-me triste e cansado.

Voltei para traz a ver dela

Quando cheguei à capela

Ela já tinha abalado.  

IV

Fui rezar a rezar a São Braz dos Matos

Para me dar outros sapatos

Estava de amores perdido.

Quanto mais a procurava

Mais o coração ralhava

Mais eu estava arrependido.  

V

Até que um dia já tarde

Encontrei essa beldade

Uma formosa donzela.

Estranha contradição

Eu ter pavor à prisão

E prender-me na mão dela.
 
VI

Resolvi abrir a boca

Com uma voz tremula e rouca

Sugeri o namorico.

 Na hora correspondido

Esse amor nunca esquecido

Deixou-me muito mais rico.
 

José Chilra
 
 

Quem sabe do nosso amor

 
 

I

Tu sabes bem, meu amor

Que é por ti que canto e choro

Pois digo seja a quem for

Quanto te amo e adoro.

 

II

Além de ti sabe Deus

E sabe a tua mãezinha

Que eu nasci para ser teu

Tu nasceste para ser minha.
 

III

O carteiro das dez e meia

Foi o primeiro a saber

Do nosso amor que norteia

A razão do meu viver.
 

IV

Sabem dos nossos arrufos

Meus rivais, desvalorizas

Já dizem os mais astutos:

Eu beijo o chão que tu pizas.

 
V

Do nosso amor tão bonito

Sabe o sol e sabe a lua

Sabem ainda, o periquito

E até as pedras da rua.
 

VI

Sabe o povo da aldeia

O padre e o sacristão

Já se diz à boca cheia

Que vamos casar no Verão.

 

 

José Chilra

 

 
 

domingo, 21 de abril de 2013

Versos de amor



Na Palma da Mão

I
Um dia ao virar da esquina
Encontrei uma menina
E em ar de brincadeira.
Pedi para lhe ler a sina
Disse-me sim, em surdina
E veio para a minha beira.
II
Estendeu-me a sua mão
Sorriu e deu atenção
Ao meu discurso invulgar.
Em ar de provocação
Chamou-me de charlatão
Com as faces a corar
III
Na linha da sua vida
Vi a sua sorte definida
E um grande amor a nascer.
Ela olhou comprometida
Tirou a mão de fugida
E mais nada quis saber
IV
Ainda na sua mão
Vislumbrei muita paixão
 Dinheiro, saúde e alegria.
Vi uns lampejos de sorte
 E um rapaz fazer-lhe a corte
À luz da pura magia.

V
 Essa linda donzela
Frágil mas muito bela
Lembrava-me uma flor.
A sua mão delicada
Ficou à minha agarrada
Sem se soltar, era amor!
VI
Na sua mão de cetim
Com pós de perlim- pim -pim
Vi as grades duma cela
Não sei se  foi um feitiço
Um dia sem dar por isso
Eu já estava preso nela.


José Chilra




Primeiro Beijo

I

Quando do teu primeiro beijo
Fiquei pertinho do céu
Exclamei com gracejo:
Foi um anjo quem o deu.

II
Lembro-me bem desse dia
Desse momento de outrora
Tão sublime, diria
Doce beijo em boa hora.

III
Rendi-me à tua beleza
Foi o momento mais belo
Imaginei-te princesa
Senti-me rei, num castelo.
. 
IV
Desfiz a insegurança
Que invadia os teus sentidos
Fomos em tempo de bonança
Pela paixão possuídos.

V I
Ainda recordo agora
A tua cara rosada
O beijo disse-me tudo
A boca não disse nada.

VII
Do primeiro beijo roubado
Ainda guardo o sabor
Se cometi um pecado
Foi por o beijo ser dado
Tarde demais, meu amor.


José Chilra



Asas do Coração

I
O meu coração tem asas
Mas não é uma avezinha
Quando bate sobre brasas
Diz que a culpa é toda minha.

II
Lembra-me um pássaro gentio
Saltitando à minha frente
Amua quando está frio
Fala mais quando está quente.

III
Bate as asas a preceito
Sobre o meu ego levita
Mal cabe no meu peito
O amor em que acredita.

IV
No jardim do meu quintal
Vai e vem bebericar
É muito sentimental
Não dorme só para amar.

V
Voa sobre os tempos idos
Namora as estrelas do céu
Fala com os meus ente queridos
Reza por mim, anjo meu.

VI
O dia que ele parar
Não me vai dizer adeus
Certamente irá prestar
Todas as contas com Deus.


José Chilra 

Amor Alado


I
Se amar demais é pecado
Confesso que já pequei
Hoje, o meu amor alado
Tornou-se um fora de lei.

II
Porém, foi correspondido
Um ano, um dia, uma hora.
Por isso não faz sentido
Deitar as saudades fora.

III
Não estudei para saber
Gerir as minhas emoções
Mas aprendi a viver
Com as minhas convicções.

IV
Desfolhei um malmequer
Deixei as pétalas no chão.
Um “Ser” não ama quem quer
A escolha é do coração.
 

José Chilra


 

A tua rua 

I

Meu amor na tua rua
Tropecei numa pedrinha
Fui a cair nos teus braços
Vê lá bem, que sorte a minha! 

II

À noite na tua rua
Há uns silêncios que eu gosto
Eu, só oiço a tua voz
E tu, a minha; eu aposto! 

III

Na rua a onde tu moras
Não conheço os teus vizinhos
O defeito é dos meus olhos
Que por ti andam ceguinhos.

IV

Na tua rua, por ora
Não se pode namorar
Há tricas a toda a hora
E muitos cães, a ladrar. 

VI
A rua da minha sogra
É a rua da roseira
Foi lá que colhi a rosa
Que guardo para a vida inteira.
 
 

José Chilra




 


sexta-feira, 1 de março de 2013

Nostalgia do poeta

Introdução

Poemas e nostalgia, são palavras e sentimentos muito pessoais, só partilho neste blogue porque bate a saudade e, ao mesmo tempo, é uma forma de homenagear os meus muito queridos. As primeiras quadras são da autoria da minha mãe, aos 87 anos mostra toda  a sua sabedoria e lucidez.




I
No lar do Alandroal
Eu pensei um dia dar o fim
Peço a todos em geral
Que tenham pena de mim.

II
Deixei a minha casinha
Tive muito que pensar
Não posso viver sózinha
Tive que ir viver para o lar.

III
Tive que ir viver para o lar
Ó que tristeza tamanha
Sózinha não posso estar
Morreu a minha companha.

IV
Morreu a minha companha
Deus a tenha em bom lugar
Ó que tristeza tamanha
Ter que ir viver para o lar.


Florinda Chilra


 

Pelas mãos de minha mãe

I
Pelas mãos de minha mãe querida
Em tempos que já lá vão
Subi vários degraus da vida
Por esta escada torcida
Com falta de corrimão.

II
Também foi pela sua mão
Que comi bons cozinhados
Minha mãe tinha o condão
De nunca faltar com o pão
Aos seus filhos adorados.

III
Lavava a roupa no rio
Com água limpa e sabão
Fizesse calor ou frio
Passava a ferro com brio
Com um velho ferro a carvão.

IV
Só com agulha e o dedal
Costurava a roupa em casa
Não era profissional
Tinha esse dom natural
Parecia ter mãos de fada.

V
Fazia rendas, bordados
Trabalhos a pontos cruz
Em alguns tecidos dados
Restaurava os já usados
Do escuro fazia-se luz.

VI
Por ser tão laboriosa
Lembrava-me uma abelhinha
Era bonita e formosa
Já dizia a tia Rosa:
A tua mãe é uma rainha!

VII
Agora que está velhinha
Recorda esses tempos idos
Ainda faz as suas rendinhas
E tece com outras linhas
Dias menos coloridos.

VII
Nas suas mãos tem o terço
Reza a Deus porque é cristã
Eu tenho a mãe que mereço
E um pai que também não esqueço
Nem hoje nem amanhã.


José Chilra


Quem sou eu

I
Que me vê não me conhece
Eu próprio não sei quem sou
Perdi a identidade
Não onda de uma saudade
O meu barco naufragou.

II
Os meus olhos são um rio
O meu peito um mar revolto
Minha vida é um navio
Amarrada por um fio
Junto ao cais do meu desgosto.

III
Os meus braços são abraços
Que ao meu filho não posso dar
Os meus dias são cinzentos
As noites mil tormentos
Tenho sonhos de arrepiar.

 IV
Este meu Eu, questionei
Não posso viver assim
Falta-me o sol dos meus dias
Falta-me a minha alegria
Porque é que partiu sem mim.

V
Perguntei ao Deus Maior
Se sabia quem eu era
Respondeu-me o redentor.
-És filho de um Deus Menor
Tua vida é uma quimera.


José Chilra



 
Tiquetaque da vida

 

I

Tenho um relógio no peito

Que é o meu grito de alerta

Por virtude ou por defeito

Bate a torto e a direito

Quando a saudade aperta.
 

II

No tiquetaque da vida

A balança do amor

Pesa mil horas vividas

Amargas, tristes, sentidas

Sem pesos para a minha dor.


III

O meu relógio quebrou-se

Com a força da corrente

A minha vida afogou-se

Os dias ficaram sem doce

Caiu a noite para sempre.
 

IV

Vivo mais só e carente

Com os braços e mãos abertas

Não me queixo impunemente

Meu coração está doente

Já não bate a horas certas.

 


José Chilra

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Postais do Rio Douro

Postais do Rio Douro

Introdução
Este meu blogue, foi criado no sentido de divulgar os usos e costumes da nossa terra nomeadamente, do Alentejo e, com temas, do meu conhecimento pessoal ou da minha autoria. No casso concreto, ao ver na Internet estes postais de rara beleza, não resisti através dos mesmos em divulgar essa lindissima região do Norte. São da autoria de, RUI PIRES, foram modificadas por mim nas extremidades, para lhes dar um aspecto de moldura




















sexta-feira, 6 de julho de 2012

Expressões Alentejanas

Expressões Alentejanas, são uma forma de dar a conhecer dialectos muito próprios deste povo a que me orgulho de pertencer. Aqui, tal como no vocabulário inserido noutra página, as expressões não são necessáriamente iguais em todo o Alentejo, daí, divulgar as que normalmente usamos no Alentejo interior a onde nasci e cresci. Pessoalmente ainda uso alguns termos, outros, só os mais velhos os usam.
Muitas destas expressões, já não constavam no rol das minhas memórias, valeu a colaboração de alguns amigos nomeadamente, de Diogo Santana.


  A
Abusou da rapariga = Teve relações sexuais com a rapariaga e deixou-a
A dormir e a caçar ratos = Diz-se de que finge dormir  
A dar as ultimas = Dar os últimos sinais de vida
Ajunto de pessoas = Muita gente junta
A feria/receber a feria = Receber o vencimento/ordenado
Agarrei nos quatro arrátes = Puz-me a caminho
Agarrei em mim = Decidi ir a qualquer lado
Água-chilra = Bebida fraca
Ainda bem não = De vez em quando
Ainda não bateu por aqui = Ainda aqui não apareceu 
Ainda rompe meias solas = Mulher madura atraente
Alcará Maria = Expressão de desagrado/exclamação
Amigo de Fulana (o) = Amante de fulana (o)
Anda arredio = Anda desviado/isolado
Amolar o próximo = Tramar o próximo
A modes que = Parece que
Anda aluada= Anda com o cio
Anda de trombas = Anda Zangado
Anda numa tráita = Anda habituado
Andar aos caídos = Andar à mercê  de esmolas
Andar à cata da rolha = Andar à procura dum objecto
Andar à unha= Andar à briga
Andar à malta = Andar à revelia
Andar mal achádo = Andar adoentado
Andar com a mosca = Andar arredio/Zangado
Andar com o benfica = Andar menstruada
Andar à pendura = Esperar que alguém pague por ele
Andar numa fona = Andar atarefado
Andar inchado = Andar vaidoso /gordo
Animal traçado = Mestiço/origem de duas raças
Apanhou um ralo = Apanhou uma inquietação
Apanhou um escalda rabos = Assustou-se bastante 
Apanhar a lebre = Quando alguém cai
Apára cristas = Pára Quedistas
À paz das tantas = À páginas tantas
Armou uma tourada = Provocou desacatos  
Armou um escabeche = Armou grande confusão
Arranjou uma titaráda = Arranjou problemas/confusão
Arranjou lenha para se quemár = Pejudicou-se a ele próprio involuntáriamente
Arrebenta bois = Tuberculo não comestível
Arreganhar os dentes = Mostrar-se zangado
Assentou-me mal = Não gostei do que me foi dito
 Às tantas nã sabe ler = provávelmente não sabe ler                             
Assobia-lhe às botas = Deixou fugir algo sem o conseguir apanhar
Atirar gafanhotos para cima= Quando alguém fala e cospe ao mesmo tempo
À ultima hora retratou-se = Desistiu do compromisso no ultimo momento
À vara larga - À solta/sem limitação


Barriga de almece = Barriga grande/comilão       
Bater o almoço/jantar =Almoçar/jantar
Bater uma sorna = Dormir a sesta
Bátega de água = Chuvada forte
Bem esgalhado = Bem feito/jeitoso
Bem falante = Educado/que fala bem

Berra com sal = Muito salgado
Boca do corpo= Vagina
Boia de carne = Pedaço de toucinho ou de enchidos de porco
Borregas nas mãos (pés) = Bolhas
Borregos do almece = Requeijão do atabefe


C
Cabras nas pernas = Manchas avermelhadas
Cada cabeça sua sentença= Cada pessoa com opinião diferente 
Cheio de nove horas = Cheio de manias/miudinho
Cagou-se nisto ou naquilo = Desistiu de fazer algo
Cagar postas de pescada = Opinar sem fundamento
Chorar de rijo = chorar com força/alto
Chorar sobre o leite derramado = Lamentar-se por algo que não é recuperável
Chover a cântaros = Chover torrencialmente
Cai daí abaixo = Cai na patetice de
Cair de pantanas = Cair desamparado
Caíu ali = Foi ali parar inesperadamente
Caíu-se com = Atirou-se a algo
Cravou comigo no chão = Atirou comigo ao chão
Criança rabina = Criança traquinas
Campo da bola = Estádio de futebol
Céu cavado = Astro, com pequenos e muitos castelos de nuvens
Com fósquinhas = Hesitante/cerimonioso
Compor a casa = Decorar/arranjar a casa
Corela da avó = Expressão de desagrado
Corta Línguas = Tradutor


D
Dá-me um cadinho = Dá-me um pedacinho
Daquem nada = Daqui a pouco
Dar de corpo = Ir ao WC
Dar o dito por não dito = Faltar ao combinado
Dar à sola = Fugir
Dar o cigarro = Curto descanso aos trabalhadores
Dar a salvação = Dar os bons dias
Dar um passou bem = Dar um aperto de mão
Dar fulano (a) a alguém = Insinuar como namorado (a)
Dar pano para mangas = Dar muito que falar
Dar boas águas = Dar esperança de melhoras
Dar de si = ceder
Dar o risco = Orientar/mandar fazer
Dar vazão = Desimpedir/ fluidez duma tarefa
De má raça= Ruim 
De  má mente = de má vontade
De nariz empinado = Vaidoso/ impustor
Deu-me uma guinada = senti uma dor aguda
Debotar = Desbotar/mudar de cor
Dedo maminho = Dedo mínimo
Desapareceu do mapa = Deixou de ser visto
Descabeçar um cadinho = Fazer um sesta ligeira
Detari gafanhotos = Cuspir para cima de alguém involuntáriamente
Detari a galinha = Meter a galinha no choco
Deta-se com as galinhas = Deita-se muito cedo
Detari água na fervura = Apaziguar/ moderar discussão 
De boa catadura = Bem disposta (o)
De má mente = Contrariado
Deu uma grande cabeçada = Foi mal sucedido nas suas opções/mudança
Dia aziado = Dia aziago/ mau presságio
Disse um ageneira = Disse um palavrão
Dizer uma alhada = Dizer um palavrão/caralhada
Dormir na forma =Não cumprir uma tarefa
Dubar a lã = Formar em novelo

E

É do catano = É tramado/ imprevisivel
É mouco que nem uma porta= É muito surdo
Em jum = Em jejum
É uma grande pensão cuidar de = É um grande encargo
Então e daí ? = Qual é o problema?
Enfernizar a vida = dar cabo da vida/ por a vida num inferno
Estamos cagádos = Estamos tramados
Está em pulgas = Está ansioso
Estar enterado = Estar informado
Está cá um briól/frialdade = Está muito frio
Está cagando para ele/ela = Ex : Amor não correspondido
Está com as trazentas = Está zangado
Está capaz doutra = Está recuperado de uma maleita
Está com po péis para a cova = Está velho debilitado/ a morrer~
Está com a corda nas goelas = Está aflito/ com dívidas
Está enuverado/enfarruscado= Céu nubelado
Está para qualquer dia = Está prestes a parir
Estar a mal com alguém = Estar de relacções cortadas
Estrapaciou tudo o que tinha = Esbanjou/destruiu
Estorrou o dinheiro todo =  Gastou o dinheiro todo
Estorrina do calor = Hora do maior calor

F
Fala pelo cotovelos = Tagarela/ muito falador
Fazer Farnhera = Impotência do homem para o acto sexual
Fazer ronha= Demorar a executar uma tarefa
Fazer um casamento = Misturar passas de figo com nozes ou amêndoas e comer.
Fazer o pézinho = Fazer o acabamento de pinturas junto ao solo
Fez tirnta por uma linha= Fez o que quiz sem regras
Foi enxógado = Levou tareia
Foi malhado = Levou porrada
Filho dum real cabrão = Ofensa verbal mais grave
Fizeram uma grande estouraria= Fizeram grande algazarra
Poupar dinheiro = Amealhar/poupar
Fulano é rabicho = É maricas

G
Galo na cabeça = Hematoma
Galar a melância = Fazer um orifício para ver se está madura
Gotêra na cabeça = Hematoma
Grande lesma = fracalhóte/lento

I
Ir embora = Abalar
Inda tás aí = Ainda aí estás
Inda agora = Há pouco tempo
Inda mal chegou = Acabou de chegar
Inda nã pinta = Ainda não tem pelos púbicos
Inda tem os três vinteis = Ainda é virgem
Ir a corta mato = Ir por atalhos
Ir à da minha (meu) familiar = Ir visitar a tia, prima etc.

J
Já vens a dar fé = Já vens feito curioso
Jesus Marizéi = Santinho/quando alguém espirra

L 

Largar algo = Deixar/ abandonar
Lavar os olhos = Ver alguém de quem se gosta
Leva uma desanda = leva um correctivo
Levar uma desanda = Levar repreensão
Levar uma boga/piza /fuerada /semanta = Levar tareia
Levas uma lamparina = Levas uma bofetada
Levas uma galheta=       "          "         " 
Levou uma pastilha = Foi multado
Linda de propriedade = Extrema /limite

M
Mal tomado = Zangado
Matar o bicho = Tomar a primeira bebida alcólica do dia
Meia arráte = Meio arrátel /500 gr (moeda antiga)
Metêsse na cabeça = Sismou
Meter botas à ribeira =Aventurar-se a fazer algo
Meteu-se numa alhada = Meteu-se em problemas
Munta família = Muita gente na família
Munto povo = Muita gente


N
Nã sabe patavina = Não sabe nada
Nã diz coisa com coisa = Está baralhado nas ideias
Nã há viválma por aqui = Não há ninguém por aqui
Nã dá mão = Não obedece
Nã é boa rêz = Não é de confiança
Nã dá rego= Mal se pode mexer/adoentado
Nã le fazem o ninho atrás da orelha = Ninguém o engana
Nã me tá dado = Não fica bem eu fazer determinada acção
Nã pode com uma gata po rabo = Não tem força nenhuma/muito fraco
Nã sei se ele lá tará  = Não sei se ele lá estará
Nã tô prá ai virado = Não tenho a mesma opinião
Nã te enteráste = Não te apercebeste
Nã te rales = Não te incomodes
Nã te hêde dezer = Não te hei-de dizer
Nã me caiem os parentes ( testiculos) na lama = Quando o homem desempenha tarefa de mulher
Nã tem talho nem maravalho = Coisa sem o minimo de perfeição
Nã tem tacto nenhum = Não tem juizo *
Nã quer as sopas = Quando o objecto dificulta a execução da tarefa
Nã vale um pedo dum cigano = Não vale nada/inútil
Nasceu ralo = Nasceu com muitas falhas
O

Ó Aik = Abalar à pressa/fugir
O amola tesouras se vem de botas é penúncio de chuva
O animal fica pensado = O animal fica alimentado/cuidado
Ó diácho = Expresão de exclamação / Ó diabo
O dinheiro dele é fêmea = Diz-se de quem aparenta ter muito dinheiro sem razão óbvia
Odio final = Ódio máximo em relação a alguém
Olhar por algo  = Tomar conta de
Olhe lá = Veja bem/ Olhe cá
Osso da espinha = Espinha dorsal

P
Parece um cão sem dono = Homem sem eira nem beira/desprezado
Parrera de enchidos= Conjunto de paus com enchidos no fumeiro
Passou à roda de mim = Passou ao pé de mim
Passou o ar por fulano (a) = Teve um AVC
Passar pelas brasas = Adormecer por breves momentos
Pelam-se por qualquer coisa =Adoram essa coisa
Pôr-se à cóca = Ficar atento
Pôr-se na retranca = Esperar que os outros façam
Pôr-se na alheta = Fugir 
Pessoa fina = Pessoa culta
Por mode = Por causa de

Prantar quéto = Estar quieto
Pregar um susto = Assustar alguém
Porrada de água = Bátega de água

Púzia no lugar = Coloquei -a no lugar
Quita = Desanda/vai embora

R

Rebocada do patrão =Rabecada/ Repreensão

Rais te parta = Raios te parta/ Indignação referente a
Raspou-se daqui = Foi embora à pressa
Raspei munto frio = Apanhei um grande frio
Renta-te nisso = Não queiras saber de/abandona
Rogar uma praga = Desejar mal a alguém

S
Sacudir a água do capote = Fugir às responsabilidades
São mais que muntos = São muitissimos
Se bem calha = Provávelmente
Se calhar = Talvez
Somos da mesma camada = Somos da mesma geração
Se te desse creto = Se te desse aval/ leberdade para fazer algo
Soube por portas travessa = Tomou conhecimento através de terceiros
Sem resgo = Rapariga sem pertendentes
Sem talho nem maravalho = Sem ponta por onde se pegue/desajeitado

T
Tá/Tamos/Tou = Está/Estamos/Estou
Tamos cagádos = Expresão quando algo corre mal
Tá com o cu às bufas = Está cheio de medo
Tá buzio = Está embaciado
Tá aqui tá lá = Não tarda a chegar
Tá bem tratado = Está bem alimentado/cuidado
Tá-se cagando para = Não faz caso de/não dá importância
Tá-se a vir = Atingir o orgasmo
Tá vendo = está vendo
Tá lixado = Está tramado
Tá feto mariola = Está feito brincalhão/maroto
Tejela de fogo = Recipiente de barro onde se faz a comida
Ter boa cabeça = Ter boa memória/estudioso
Ter uma pensão = Ter responsabilidade de cuidar de
Teve um grande ralo = Teve uma grande inquietação
Tem bichos carpinteiros = Não pára quieto/traquinas
Tem o diabo no corpo = Pessoa irrequieta/ruim
Tem lidação com alguém = Tem confiança/intimidade com alguém
Tem uma grande rinha a fulano = Tem um grande ódio a fulano
Ter uma moinha = Ter uma leve dor
Tem muito génio = Pessoa temperamental
Tem uma doença ruim = Tem um cancro
Tem estilo = Sabe cantar/ vós melodiosa
Tem pelo nas ventas = Pessoa difícil e austera
Tem tádo mal = Tem estado mal
Tem tosse de cão = Tem tosse seca
Ter um rei na barriga = Pessoa sobranceira
Ter rinha a alguém = Ter ódio
Ter o coração ao pé da boca = Pessoa que diz o que pensa sem rodeios
Tirar a fala a alguém = Cortar relacções
Tirar despiques =Pedir explicações pessoalmente
Tirou a sortes = Mancebo que foi à inpecção militar
Tomara que = Quem me dera que
Travaram-se de rezões = Discutiram
U
Uma data deles/Uma carrada deles = Muitos
V
Vai à roda de = Vai à volta de
Vai badamerda = Vai à merda
Vai de rojo = Vai de rasto
Vai de atravesso = vai de lado/pingado 
Vai gaspiado = Vai com muita pressa
Vai levar nas nalgas, anilha, pêda, cu = Agressão verbal a alguém
Vou-me assacudindo = Vou-me embora
Veia da urina = Uretra
Vento suão = Vento do Sul
Verter águas = urinar