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Sonho Azul
I
Tive um sonho colorido
Viajei de norte a sul
Acordei e fez sentido
Chamar-lhe de sonho azul.
II
Foi um sonho tão bonito
Com uma franja garrida
Foi tão pobre e foi tão rico
Que me falava da vida.
III
Lembrava-me a aventura
A bonança e a tempestade
Namoros, tempos de loucura
E muita cumplicidade.
IV
Ciúmes e confissões
Abraços, beijos trocados
Cartas escritas, aos milhões
Traições, namoros acabados.
V
Arrufos e maus humores
Preconceitos ancestrais
Jovens belos sonhadores
Mulheres lindas de aventais.
VI
Já do meu sonho esvaído
Com tanta meia verdade
Acordei comprometido
Na onda de uma saudade.
VII
Por fim o sonho me disse
O amor é um martelo
Se bate pouco, é tolice
Se bate muito, é mais belo!
José Chilra
Sonhos Incolores
I
O Sonho é uma janela
Com uma vidraça
partida
Mas, eu debruço-me
nela
Para ver passar a
vida.
II
Debaixo dos meus
cabelos
Vão os meus sonhos
brincando
Às vezes com
pesadelos
Deixam os meus olhos chorando.
III
Não me entendo com os
sonhos
Nem de noite nem de
dia
Porém, é com os mais
risonhos
Que me ligo à utopia.
IV
Os sonhos Incolores
Fazem parte meu “SER”
São as saudades
maiores
De alguém que amo e
quero ver.
V
No colinho da
demência
Embalo sonhos
profundos
Para acordar a
ciência
Dividida entre dois
mundos.
VI
Meus sonhos são
pombas brancas
Que voam no mesmo
sentido
Trazem-me saudades,
tantas
Nas penas que tenho
vivido.
José Chilra
Nos braços da noite
I
Dormi no colo da
noite
Meu amor, contigo ao
lado
E sonhei como se
fosse
Nos teus braços muito
amado.
II
Deitei-me na lua nova
Quando o sol se
escondeu
Acordei na lua cheia
Estive pertinho do
céu.
III
Namorei com uma
estrela
Em lençóis de
pano-cru
Tiveste ciúmes dela
Mas essa estrela era
tu.
IV
A tua voz meiga e
quente
Sussurrou ao meu
ouvido
Amar demais, é
urgente
De menos, não faz
sentido!
V
Tocou o despertador
Quando ainda levitava
Nos braços do meu
amor
Nos beijos que ela me
dava.
José Chilra
Baile de Pinha
I
Naquele baile de
pinha
Tu eras a atracão
Parecia uma rainha
Cheia de encanto e
sedução
II
De todas as raparigas
Eras tu a mais bonita
E das mulheres mais
antigas
A tua mãe era a mais
rica.
III
Convidei-te para
dançar
À média luz, no salão.
Foi tão fácil puxar
A fita do coração!
IV
Dançámos a nossa
valsa
Ao som de uma
concertina
Juntámos a saia à
calça
Subiu a adrenalina.
V
Não fomos reis nessa
noite
Ficas-te ainda
princesa
Todavia eu fiz a
corte
À mais bela camponesa!
VI
Falei-te então ao
ouvido
Pedi-te o amor em
segredo
Logo fui
correspondido.
Abriu-se a pinha mais
cedo!
VII
Tu eras fascinação
Sem ostentares anéis
de ouro
E eu, uma
interrogação
P`ra início de
namoro.
VIII
Toda a gente
cochichou
Quando se fez luz na
sala
O teu pai, viu e
corou
A tua mãe, perdeu a
fala!
José Chilra
Recado da minha amada
I
Meu amor, só vou ao baile
Se a minha mãe quiser ir
Se não estiver a chover
E se o meu pai permitir.
II
Tenho estas condicionantes
Mas já fiz os meus apelos
Já pus o anel de brilhantes
Mudei a cor aos cabelos.
III
Comprei uns sapatos novos
E uma saia de folhos
Quero ser a estrela da noite
A cintilar nos teus olhos.
IV
Já tenho a roupa engomada
E já me maquilhei com pó-de-arroz
Estou tão ameninada
Que o espelho perdeu a voz.
V
Já ensaiei umas danças
Para não fazer má figura
Meu amor vê lá se alcanças
O cós da minha cintura.
VI
Desta noite meu bem
Vamos fazer um festim
Não olhes para mais ninguém
Olha apenas só para mim.
VII
Quando o meu progenitor
Me der autorização
Vou levitar meu amor
Junto do teu coração.
José Chilra